Escritor da Semana: Nereu Giacomolli

Confira no blog da Livraria Espaço Cultural, uma entrevista exclusiva com o Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul e Professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Dr. Nereu Giacomolli sobre seus livros e temas relacionados ao processo penal contemporâneo.

Livraria Espaço Cultural: O senhor é desembargador e professor universitário, o que o motivou a escrever livros?

Dr. Nereu Giacomolli: Iniciei escrevendo pequenos contos e poesias, quando ainda cursava o segundo grau, mas não os publiquei. O gosto pela escrita foi uma consequência do gosto e necessidade de leitura, bem como do costume de escrever “diários”. Escrevi muitos, desde os 12 anos de idade. Escrever integra minha necessidade diária. Preciso escrever. Isso me realiza. Exerci a magistratura por mais de 30 anos, até final de 2014. Neste interim, também iniciei minha vida acadêmica, com pós-graduação e doutorado. Leciono desde 1992 na área do Direito e Processo Penal. A inserção no mestrado e doutorado exige pesquisa, produção científica e publicações. Escrevi oito livros jurídicos, trinta capítulos e dezenas de artigos. Também traduzi vários livros.

Livraria Espaço Cultural: Como são os processos de pesquisa para escrever seus livros?

Dr. Nereu Giacomolli: São livros, capítulos e artigos técnicos. Coordeno um grupo de estudos (alunos da graduação, especialização, mestrado e doutorado) e sou líder de grupo de pesquisa no PPG em Ciências Criminais da PUCRS – mestrado e doutorado, devidamente certificado. A produção científica vincula-se ao objeto da pesquisa e aos debates, a partir de literatura estrangeira vinculada a temas pouco desenvolvidos no Brasil, mas aplicáveis ao nosso sistema jurídico. Os livros surgem de ideias debatidas nos grupos, da investigação no grupo de pesquisa e das leituras de obras de pesquisadores de ponta. Portanto, pertinentes ao momento contemporâneo, com impacto atual e perspectiva continuativa de desenvolvimento e aperfeiçoamento.

Livraria Espaço Cultural: Qual livro mais gostou de escrever?

Dr. Nereu Giacomolli: O Devido Processo Penal foi o livro que mais gostei de escrever. Pesquisei durante dois anos as decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos e do Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Recolhi um manancial importante de informações que possibilitaram escrever quase 500 páginas. O livro está na segunda edição e estou preparando a atualização para a terceira. A pesquisa permitiu o desenvolvimento do tema com uma metodologia diferenciada da empregada nas demais obras sobre o processo penal, mais adequada às necessidades contemporâneas e às exigências de uma sociedade complexa e altamente diferenciada.

Livraria Espaço Cultural: Quais as maiores dificuldades que você encontrou produzindo o livro?

Dr. Nereu Giacomolli: A falta de preocupação na conservação e catalogação sistemática de dados empíricos nos Tribunais e nas Cortes Internacionais; dificuldades no acesso aos dados; ausência de custódia de fontes informativas e científicas importantes à investigação científica.

Livraria Espaço Cultural: O que pensa sobre os livros serem lidos em e-books? O livro de papel ainda é valorizado?

Dr. Nereu Giacomolli: Parece que o papel propicia um contato mais próximo, mais epidérmico, mais caloroso com o livro. Tenho a sensação de artificialidade tecnológica com o e-book, mas é só impressão. O e-book é uma necessidade, potencializa a possibilidade de leitura e permite o acesso mais rápido ao conhecimento e à informação. Acredito na convivência pacífica dessas duas formas de documentação e divulgação do conhecimento.

Livraria Espaço Cultural: Quais os projetos literários que você está trabalhando atualmente?

Dr. Nereu Giacomolli: Primeiro tenho que atualizar os livros que estão esgotados: a investigação criminal; as reformas no processo penal; os juizados especiais criminais e o devido processo penal. Trabalho na atualização deste último. Depois passo aos demais. Estou escrevendo um Curso de Processo Penal, o qual pretendo findar neste ano.